Seguimos rumo ao norte por uma estrada de terra esburacada, ladeada por uma densa floresta de altas árvores. Pinheiros, se não me engano. Avançavamos lentamente, mas em ritmo constante, de forma que atingimos a borda daquela floresta ao final do dia.
— Acho que por hoje chega — disse Darokk, saltando da sela de seu cavalo. — Venha, Dave, eu conheço um bom lugar para passarmos a noite.
Adentramos a selva seguindo por uma trilha estreita, conduzindo nossos cavalos pelas rédeas, e chegamos numa pequena clareira.
— Por aqui — disse Darokk, contornando uma formação rochosa — Amarre seu cavalo — disse, apontando para um amontoado de troncos podres — Vou precisar de um favor seu. Quero que você pegue galhos secos para mim.
Prendi as rédeas de minha montaria e voltei para a floresta, fazendo o que Darokk havia pedido, coletando o máximo de lenha que consegui.
— Ótimo, Dave. Agora jogue tudo aqui.
Ele havia limpado um pequeno espaço circular e o delimitado com pedras. Joguei a lenha naquele espaço e Darokk completou o serviço despejando folhas secas sobre os galhos e depois fazendo uma pequena fagulha com duas pedras que ele trazia em seu alforje. O fogo crepitou por um momento e quase foi extinguido por uma rajada de vento, mas já havia atingido a base de folhas secas e logo voltou a queimar com intensidade. Nos sentamos ao redor da fogueira e pusemos batatas e carne para assar.
— Meus ancestrais costumavam caçar nesta floresta — disse Darokk, olhando para as árvores logo à frente. — Quando ainda eram apenas orcs selvagens.
— E por que não caçam mais?
— Nós nos unimos, Dave. Abrimos mão da vida nômade para fundar a sociedade órquica — ele fez uma pausa e arrancou um naco de carne de seu espeto. - Agora nós cultivamos da terra e criamos animais. Não precisamos mais nos arriscar caçando — ele parou, por um momento, e fitou a carne presa ao espeto. — Só espero ser sábio como meu pai para comandar meu povo.
— Ah, Darokk, eu tenho certeza que você se tornará um líder tão bom quanto seu pai — me senti um idiota falando aquilo, pois eu nem sequer conhecia o pai dele.
— Obrigado, Dave. Eu espero que você esteja certo.
Terminei minha refeição e peguei um dos sacos de dormir do alforje. Me deitei dentro da pequena concavidade da caverna. Darokk ainda ficou acordado por um tempo, sentado em frente às chamas, mas logo cedeu ao sono e dormiu ali mesmo.
Acordamos bem cedo no outro dia, com os raios de sol quebrando sobre as copas das árvores. Havia uma névoa dançante, rodopiando no chão da clareira. Tropecei algumas vezes por não ver as irregularidades do solo enquanto me dirigia ao centro da clareira para acordar Darokk.
Cutuquei ele no ombro, mas ele se limitou a grunhir. Fui mais insistente e o sacudi com as duas mãos. Ele acordou, sobressaltado, e só se acalmou quando percebeu que era eu e onde estava.
— Desculpe, Dave — ele coçou os olhos. — Viajei por muito tempo...
Quebramos o jejum com algumas frutas secas e fizemos o caminho de volta para a estrada. Não demorou muito para que as árvores fossem substituídas por planícies irregulares que seguiam para até onde a vista podia alcançar.
Enquanto cavalgávamos, Darokk me dava uma base teórica para batalhas e conflitos que envolviam armas brancas. Em três dias ele me ensinou um pouco da teoria sobre lutas; espadas, machados ou lanças, eu aprendi pelo menos os movimentos simples de cada arma sem nunca ter tocado em alguma delas. Eu nunca tive professor igual. Darokk simplesmente ensinava como se tivesse nascido para tal.
— Eu posso ensiná-lo a empunhar uma espada, mas nada vai prepará-lo para uma batalha de verdade, Dave. Há uma serie de fatores que influenciam uma luta, como sentimentos de raiva, ódio, medo. O mais importante é nunca baixar a guarda. — Entendo — respondi. Como o garoto convencido que era, já me julgava o mestre das armas.
Achei que estava preparado para o que viesse, que era imbatível. Como eu estava enganado.
Cavalgamos por dias consecutivos através daquele cenário bucólico. Cavalgamos até eu perder as contas dos dias. Não importava para onde eu olhasse, a imagem era sempre a mesma: morros e colinas. Haviam grandes pedras de vez em quando que usávamos como abrigo, mas era raro. Geralmente dormíamos à céu aberto.
No décimo primeiro dia avistamos os muros de madeira de uma pequena vila, semelhante à de Darokk. Ainda era de tarde quando adentramos os portões do vilarejo, e por isso havia muito movimento de orcs e trolls nas ruas. Aparentemente, a notícia de que Darokk era o novo chefe tribal já havia chego à aquela vila, pois alguns deles faziam uma leve reverência a Darokk quando ele passava, enquanto outros cuspiam no chão perto dos pés dele. Ele apenas rosnava e seguia andando, como se nada tivesse acontecido.
— Caramba — praguejei. — Qual o problema deles? — desviei por pouco de uma poça de saliva verde.
— Ah, sabe como é — disse. Estava visivelmente irritado. — Alguns não gostaram da minha chegada ao poder. Esses indivíduos, provavelmente de clãs mais antigos e de costumes mais arcaicos, acham que devemos atacar e dizimar os humanos enquanto ainda temos tempo — explicou. — O que é loucura, claro.
— Por que atacar os humanos? — perguntei.
— Rapaz, essa é uma história um pouco extensa — falou. Continuava irritado. — Qualquer dia desses eu explico — e então ele parou e abriu os braços. — Bem, aqui estamos.
À frente havia um prédio de dois andares, feito de madeira e pedras. Era uma pousada, explicou Darokk. Tive que fazer um esforço sobrenatural para não ter um ataque alérgico com a poeira que se acumulava nos cantos da sala, quando entramos. Era tudo muito rústico e velho: a mobília, a decoração e até mesmo as pessoas que se aglomeravam ao redor de uma mesa oval para fazer uma boquinha, o que conferia ao lugar um aspecto abandonado. Aqueles que estavam comendo fizeram um silêncio mortal quando notaram nossa presença, criando uma atmosfera pesada e tensa. Alguns viraram a cabeça, outros pigarrearam ou deixaram escapar suspiros, mas todos, involuntariamente, nos acompanharam com aqueles olhinhos negros. Nos observavam como se fossemos algum tipo de doença contagiosa.
Darokk parou em frente ao balcão. Em cima dele havia um travessa com ossos maiores que meu ante-braço, ainda úmidos de saliva. Logo atrás, sentada em um banco, estava uma enorme orc, palitando os dentes com o que restara de uma costela.
— Sua fome continua a mesma de sempre — disse Darokk, cruzando os braços.
A orc estreitou os olhos e nos observou com cuidado. Estivera mais preocupada com sua comida, mas agora prestava atenção.
— Darokk? — indagou. — Darokk! — exclamou.
Ela contornou o balcão e deu um abraço apertado em Darokk.
— Quanto tempo, Karshina!
— Realmente, quanto tempo! — ela deu tapas nas costas de Darokk. — E você nunca veio me visitar, seu safado!
— Ah, sabe como é. Drakkamash.
— É verdade, é verdade! Fiquei sabendo que agora está tão importante quanto o pai!
— Nunca serei Darvak — e riu. — Mas vou tentar dar o meu melhor.
— É assim que se fala — disse Karshina, abrindo um largo sorriso. — Mas diga, o que precisa? Duvido que tenha vindo apenas para me ver.
— Me perdoe por isso, mas realmente precisamos de um lugar para passar a noite.
— Bom, fique com o de sempre, então. Haverá bastante espaço... — só então ela me notou. Um brilho estranho atravessou seus olhos, enquanto a língua pulou para fora da boca, feito uma serpente, lambendo os lábios.
Darokk percebeu. Pôs a mão no ombro de Karshina e falou ao pé do ouvido dela, com firmeza:
— Eu e Dave agradecemos, Shina. Obrigado — e se afastou. — Vamos, Dave. Vamos por as coisas no quarto.
Subimos um lance de escadas e entramos num quartinho humilde, com duas camas. Quando tive certeza que ninguém me ouviria, falei.
— Viu o jeito com ela olhou para mim? Como se eu fosse um... um petisco ou coisa parecida.
— Me desculpe por isso Dave, mas como falei antes, alguns orcs ainda não superaram os velhos... hábitos.
— E devorar pessoas fazia parte dos antigos costumes órquicos? — perguntei, alarmado.
— Isso foi a muito tempo, Dave. Como eu disse, uma história para qualquer dia desses — ele jogou a mochila em cima da cama e se virou. — Está com fome? Minha barriga está doendo — falou, afagando o estômago simbolicamente. Concordei com a cabeça. — Vamos.
Voltamos para o saguão. A mesa que antes estivera cheia de vida agora jazia quase completamente abandonada, salvo a exceção de um orc que rocava alto, provavelmente tão bêbado que não conseguira levantar.
— Eles foram embora rápido — falei, observando a bagunça deixada para trás.
— O povo dessa vila não gosta de estranhos — respondeu Darokk.
— Mas pensei que já tivesse visitado esse lugar, antes...
— Oh, não estou falando de mim — respondeu, rindo. Ele se sentou à mesa e abriu um espaço, empurrando copos, talheres, pratos e ossos com o ante-braço. Sentei ao lado e fiz o mesmo. — Shina, tenho umas boas moedas aqui caso tenha alguma comida de qualidade restante — falou, fazendo duas moedas douradas dançarem entre seus dedos.
Karshina fez um sinal de positivo e desapareceu por uma porta lateral. Vinte minutos depois, voltou com dois pratos, que deixou na mesa a nossa frente. Darokk deu as duas moedas e nós dois demos um apressado 'obrigado'. Comemos a primeira refeição digna desde que havíamos começado nossa jornada. Havia batatas, carne, um estranho molho marrom delicioso e várias frutas.
— Isso... está muito bom — falei, de boca cheia. Darokk apenas emitiu um grunhido, concordando.
Culinária órquica. Mentalmente risquei um dos itens da minha lista de coisas a fazer antes de morrer.
No dia seguinte Darokk me acordou bem cedo. Eu sequer estava raciocinando direito quando ele disse que iriamos ao ferreiro
— Vamos te arranjar uma boa espada — disse. E depois apontou para a que havíamos pilhado dos mortos, tantos dias atrás. — Leve esta, também. Talvez façamos proveito dela.
A ferraria ficava virando a esquina. Uma casinha de madeira bem humilde, com o chão de terra batida, precedia a forja, uma construção de pedras encaixadas. Haviam espadas penduradas nas paredes e um balcão logo a frente, onde um orc estava debruçado, nada mais. Uma aproximação revelou um rosto velho, marcado por rugas. Um dos olhos era leitoso e o outro levemente vesgo.
— Hork! — exclamou Darokk, falando alto. O velho orc também era surdo de um dos ouvidos.
— Hm? Quem vem lá...? — perguntou, estreitando o olho bom. — Darokk?! — perguntou, incrédulo, como se estivesse vendo um fantasma do passado.
— Sou eu, velho ferreiro! Venha e me dê um abraço! — Darokk falou, entusiasmado. Depois do abraço ele se virou para mim e disse: — Dave, conheça Hork, o ferreiro mais experiente da parte leste da Galádia e antigo fornecedor oficial de armas do exército órquico — havia um certo orgulho na voz de Darokk.
— Ah, seja mais humilde, velho amigo. Eu não sou tudo isso — e Hork sorriu, revelando os dentes amarelos e lascados. — Mas vamos lá, o que precisa? Uma nova espada? Fio para a lâmina? Pedras para amolar? — eu não conhecia as habilidades de Hork como ferreiro, mas como vendedor ele era surpreendentemente eloquente e convincente. Mostrou tantas espadas penduradas, machadinhas, maças e outras armas antes que Darokk pudesse dizer que estávamos ali para encomendar algo que fiquei impressionado pela velocidade do velho.
— Hork, queremos uma espada sob medida para Dave — ele falou.
Ele entendeu na hora do que se tratava. Veio até mim, levantou meu braço e o mediu com a palma da mão direita.
— Pode ser feito, mas a qualidade irá depender de quão rápido irão querer — ele disse. — E quanto ouro estão dispostos a pagar — acrescentou, rindo e esfregando as mãos. Uma perfeita caricatura da ganância.
— Aqui — Darokk passou uma sacolinha de moedas de ouro para Hork. — E garanto mais algumas moedas se a terminar para amanhã.
Hork sorriu mais uma vez
— Oh, sim, creio que tenho algo de boa qualidade quase pronto — ele disse. — Irei dobrar o metal o dia inteiro hoje e amanhã passarei a manhã polindo e afiando.
— Ótimo — respondeu Darokk. Saímos do estabelecimento.
Aparentemente, em toda as aldeias, havia um campo de treinamento de armas, e foi lá que Darokk e eu passamos o resto da tarde treinando movimentos com espadas emprestadas do arsenal das tropas da vila.
No outro dia, perto do meio-dia, supus, nos preparamos para pegar minha espada e partir. Entramos na loja de Hork, mas a princípio ele não estava lá.
Passeei pela pequena loja, observando as belas e lustrosas armas penduradas, que refletiam meu reflexo quando eu chegava perto. Foi um choque ver minha imagem em uma das espadas suspensas por ganchos na parede. Meu cabelo estava desgrenhado e longo, minha barba estava ficando volumosa e eu estava com círculos roxos em baixo dos olhos.
— É uma bela espada, não é? — tive um pequeno ataque do coração com a desagradável surpresa. — Mas esta é aqui é a sua espada — disse Hork, estendendo a bainha de minha espada para mim.
— Muito obrigado — falei, entusiasmado pelo presente.
Tirei-a para fora da bainha e contemplei o metal frio e afiado. Eram lindos oitenta centímetros de aço muito bem polido e afiado, como me disse Hork mais tarde. Guardei a espada e fixei a bainha em meu 'cinto de utilidades' que tinha ganhado de Darokk.
— O dinheiro que lhe dei foi suficiente, Hork? — indagou Darokk, depois de ceder algumas moedas adicionais.
— Sim, sim, agora estamos de acordo.
— Mais uma vez, foi um prazer fazer negócios com você, Hork. — Darokk se despediu do amigo sovinha — Mas precisamos ir. Até a vista, amigo.
— Até a vista — disse distraído, absorto nas moedas que agora estavam em suas mãos.
— Adeus — eu disse.
—Adeus, humano — e virou a cabeça para mim. — Boa sorte em sua jornada.
Peguei a espada velha, que estava dentro da bainha e mostrei para Darokk.
— O que eu faço com isso? — perguntei, entregando a espada pra ele.
— Guarde-a — respondeu. — Apesar de velha e cega, ela pode acabar sendo útil. Faça assim: pendure a nova no lado esquerdo e a velha no lado direito. Assim você terá duas espadas para lutar.
Fiz o que Darokk disse, mas logo senti o desconforto do novo peso. Eu carregava duas espadas, uma mochila com suprimentos, roupas e uma cota de malha enferrujada, duas espadas, além do saco de dormir. Foi difícil acompanhar o ritmo de Darokk, que já estava acostumado à aquele tipo de fardo, mas logo consegui me acostumar.
Peguei a espada velha, que estava dentro da bainha e mostrei para Darokk.
— O que eu faço com isso? — perguntei, entregando a espada pra ele.
— Guarde-a — respondeu. — Apesar de velha e cega, ela pode acabar sendo útil. Faça assim: pendure a nova no lado esquerdo e a velha no lado direito. Assim você terá duas espadas para lutar.
Fiz o que Darokk disse, mas logo senti o desconforto do novo peso. Eu carregava duas espadas, uma mochila com suprimentos, roupas e uma cota de malha enferrujada, duas espadas, além do saco de dormir. Foi difícil acompanhar o ritmo de Darokk, que já estava acostumado à aquele tipo de fardo, mas logo consegui me acostumar.
Finalmente nós havíamos voltado a andar. Foram mais dois dias de uma tranquila caminhada até o sopé da montanha. Era reconfortante saber que estávamos perto do destino. Minha resistência estava nas últimas, e eu sentia cada músculo e cada fibra de meu corpo doer. Por vezes eu fui ao chão, com terríveis cãibras nas pernas. Minha sorte é que Darokk conhecia algumas ervas locais que agiam como anestésicos.
Acampamos na base da montanha, perto de um riacho que corria ladeira a baixo. Aproveitei o momento de calma e contei a Darok toda a minha história desde a chegada da carta até o momento em que ele nos encontrou na floresta.
— Eu só queria saber quem me mandou essa maldita carta para poder por minhas mãos no desgraçado e...
— Calma, Dave. Eu acredito que se você está aqui hoje é porque tem uma jornada a cumprir, uma missão. Nada é por acaso, nada.
— Me desculpe, mas não acredito em destino.
— Eu também não, Dave. Só estou dizendo que acredito que as coisas acontecem por algum motivo.
— Bom, então acho que de certa forma eu concordo com você — bocejei de cansaço e percebi que estava com as juntas doloridas — Eu vou dormir agora. Não sei se vou conseguir aguentar essa subida sem descansar um pouco. Boa noite — me recostei em meu travesseiro de peles e dormi.
— Eu só queria saber quem me mandou essa maldita carta para poder por minhas mãos no desgraçado e...
— Calma, Dave. Eu acredito que se você está aqui hoje é porque tem uma jornada a cumprir, uma missão. Nada é por acaso, nada.
— Me desculpe, mas não acredito em destino.
— Eu também não, Dave. Só estou dizendo que acredito que as coisas acontecem por algum motivo.
— Bom, então acho que de certa forma eu concordo com você — bocejei de cansaço e percebi que estava com as juntas doloridas — Eu vou dormir agora. Não sei se vou conseguir aguentar essa subida sem descansar um pouco. Boa noite — me recostei em meu travesseiro de peles e dormi.
Acordei bem cedo de manhã, com Darokk me cutucando no ombro com o graveto em forma de espada que ele usava para me ensinar a lutar.
— Temos um dia inteiro de caminhada ainda. Vamos.
— Temos um dia inteiro de caminhada ainda. Vamos.
— Não vamos comer nada? - minha barriga soltou um leve grunhido de descontentamento.
— Espere aqui, eu já volto.
E então ele se esgueirou por entre vegetação e desapareceu, me deixando sozinho naquela clareira, ao som tranquilizante do riacho. Me recostei em meu travesseiro de peles e olhei para as brancas nuvens que, lentamente, iam cruzando aquele céu azul e brilhante. Era a primeira vez desde que saímos do vilarejo que eu tinha a oportunidade de contemplar o céu, ter um momento de sossego e a oportunidade de organizar minhas ideias. Mas, infelizmente, isso só durou por breves 37.89 segundos, quando Darokk voltou carregando algumas frutas de diferentes cores e tamanhos. Felizmente, era tudo comestível.
Eu já estava de barriga cheia, mas antes de recomeçar a peregrinação lavei meu rosto na água fria e cristalina do riacho que serpenteava lá do topo da montanha até se perder mata a dentro. Me senti um pouco mais acordado e disposto, e eu precisava me sentir assim ou morreria na metade do trajeto.
Foram duras horas de caminhada montanha acima . O percurso era íngreme e traiçoeiro. As pedras abaixo de meus pés se soltavam a cada passo que eu dava, as vezes me puxando para baixo junto com elas. Era como andar em uma esteira pronta para te jogar pra fora da estrada na primeira oportunidade.
Enfim atingimos uma parte plana da montanha, onde a floresta ficava densa novamente.
— Estamos quase lá, apenas precisamos seguir essa estrada mais um pouco...
A trilha da montanha seguia floresta a dentro, abrindo caminho por entre as árvores e indo direto ao coração daquela selva.
Andamos mais um pouco e paramos em uma pequena clareira para almoçar. O prato do dia era um pequeno quadrúpede peludo, semelhante ao cervo, no espeto. Não era lá a coisa mais gostosa do mundo, mas quando se está com fome você come qualquer coisa que pareça comestível.
Voltamos a caminhar assim que terminamos nossa refeição. No começo, as árvores eram dispersas e espalhadas, mas à medida em que íamos avançando elas ficavam mais juntas e mais densas, se curvando sobre a estrada com longos galhos verdes que nos cobriam da luz do sol. Não demorou muito para que ficasse escuro e apenas vultos pudessem ser distinguidos em meio à vegetação. Por vezes achei ter visto algo andando por entre as árvores e aquilo me deixou ridiculamente assustado, mas Darokk estava comigo e, a não ser que fosse algo que não pudesse ser cortado pela lâmina dele, não havia nada a temer.
Pouco a pouco, a vegetação de árvores e arbustos foi dando lugar a uma flora de longas plantas cilíndricas, semelhantes a bambus, mas muito peludos, como se os pequenos troncos circulares fossem envoltos por uma capa feita de pele de gato. Mais a frente a floresta ficava dispersa novamente e os raios de sol começavam a penetravam por entre os bambus, iluminando o caminho que parecia terminar logo a frente. E realmente terminava mais para frente, em uma clareira aberta em meio à vegetação dos bambus felpudos, que, a essa altura, já eram as plantas dominantes daquele cenário "bucólico". Na outra extremidade da clareira havia uma mansão muito semelhante a um daqueles templos japoneses que se vê em filmes, com suas longas colunas de madeira muito lustrosa que se erguiam do chão e iam até o segundo andar, que era ladeado por sacadas. A casa era incrivelmente grande e aparentava ser muito velha, apesar de estar em dia com a faxina.
Eu já estava de barriga cheia, mas antes de recomeçar a peregrinação lavei meu rosto na água fria e cristalina do riacho que serpenteava lá do topo da montanha até se perder mata a dentro. Me senti um pouco mais acordado e disposto, e eu precisava me sentir assim ou morreria na metade do trajeto.
Foram duras horas de caminhada montanha acima . O percurso era íngreme e traiçoeiro. As pedras abaixo de meus pés se soltavam a cada passo que eu dava, as vezes me puxando para baixo junto com elas. Era como andar em uma esteira pronta para te jogar pra fora da estrada na primeira oportunidade.
Enfim atingimos uma parte plana da montanha, onde a floresta ficava densa novamente.
— Estamos quase lá, apenas precisamos seguir essa estrada mais um pouco...
A trilha da montanha seguia floresta a dentro, abrindo caminho por entre as árvores e indo direto ao coração daquela selva.
Andamos mais um pouco e paramos em uma pequena clareira para almoçar. O prato do dia era um pequeno quadrúpede peludo, semelhante ao cervo, no espeto. Não era lá a coisa mais gostosa do mundo, mas quando se está com fome você come qualquer coisa que pareça comestível.
Voltamos a caminhar assim que terminamos nossa refeição. No começo, as árvores eram dispersas e espalhadas, mas à medida em que íamos avançando elas ficavam mais juntas e mais densas, se curvando sobre a estrada com longos galhos verdes que nos cobriam da luz do sol. Não demorou muito para que ficasse escuro e apenas vultos pudessem ser distinguidos em meio à vegetação. Por vezes achei ter visto algo andando por entre as árvores e aquilo me deixou ridiculamente assustado, mas Darokk estava comigo e, a não ser que fosse algo que não pudesse ser cortado pela lâmina dele, não havia nada a temer.
Pouco a pouco, a vegetação de árvores e arbustos foi dando lugar a uma flora de longas plantas cilíndricas, semelhantes a bambus, mas muito peludos, como se os pequenos troncos circulares fossem envoltos por uma capa feita de pele de gato. Mais a frente a floresta ficava dispersa novamente e os raios de sol começavam a penetravam por entre os bambus, iluminando o caminho que parecia terminar logo a frente. E realmente terminava mais para frente, em uma clareira aberta em meio à vegetação dos bambus felpudos, que, a essa altura, já eram as plantas dominantes daquele cenário "bucólico". Na outra extremidade da clareira havia uma mansão muito semelhante a um daqueles templos japoneses que se vê em filmes, com suas longas colunas de madeira muito lustrosa que se erguiam do chão e iam até o segundo andar, que era ladeado por sacadas. A casa era incrivelmente grande e aparentava ser muito velha, apesar de estar em dia com a faxina.
— É aqui - disse Darokk, sorrindo de leve. — Agora escute, Dave, ele é um grande amigo meu. É muito sábio, mas também se ofende facilmente, então tome cuidado com suas palavras.
— Tudo bem.
Andamos até a pequena escadaria que levava ao primeiro andar e fomos surpreendidos pela porta dupla sendo aberta por dentro, como se alguém estivesse esperando por nós.
Eu devo ter balbuciado algo como "meu deus...".
Eu devo ter balbuciado algo como "meu deus...".
Hey, está indo bem, estou gostando da história, desenvolve aí filho \o
ResponderExcluirBeijos